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Velhos baianos: população idosa na Bahia cresce mais do que no Brasil

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É o caso de pessoas como seu Moisés, que não dispensa a caminhada e a hidroginástica

Sentado de frente para uma banca de revistas no Corredor da Vitória, o aposentado Moisés Sales, 89 anos, zombava um amigo, que tem lá seus 84 anos. “Estou falando para ele que faço academia, saio para andar todo dia, por isso estou bem assim”, orgulhava-se. Morador dali mesmo, do Corredor da Vitória, seu Moisés é conhecido como um dos moradores mais ativos da região.

Segundo o dono da banca de revistas, que fica ao lado do prédio onde ele vive, seu Moisés é “o homem que mais anda na Vitória”. Na manhã desta sexta-feira, já tinha ido ao mercado e na casa da filha – tudo a pé. Entre uma coisa e outra, dava sequência à caminhada diária, sempre com a bengala que o acompanha há dez anos. Na época, fez uma cirurgia no joelho e se acostumou com o utensílio. Consegue andar sem ela, mas já a considera praticamente uma extensão do próprio corpo.

Cheio de vitalidade, seu Moisés é um dos retratos de uma população que só faz crescer na Bahia. De acordo com os novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira (24), pelo IBGE, o número de pessoas com 60 anos ou mais na Bahia passou de 1,9 milhão, em 2015, para mais de 2 milhões de pessoas em 2016. De um ano para o outro, o crescimento da população idosa no estado foi de 6,8% – mais do que a média nacional (3,7%) e o sétimo aumento entre os estados.

O comerciante aposentado Moisés Sales caminha todos os dias e faz hidroginástica há 15 anos (Foto: Marina Silva/CORREIO)

De acordo com a gerente da Pnad Contínua, Maria Lúcia Vieira, o crescimento na Bahia é um reflexo do que vem acontecendo no Brasil e nas outras unidades da federação. “O que é importante numa forma geral é a questão do porquê. A gente vem observando que as taxas de fecundidade reduziram, o número de filhos por mulher está em torno de 1,9 e a expectativa de vida vem aumentando, segundo os avanços da medicina”, explica.

“É preciso estar de olho para que eles não apenas vivam mais, mas vivam com qualidade”, diz Maria Lúcia Vieira, gerente da Pnad Contínua

Devido a esse aumento, ela defende que é preciso desenvolver políticas voltadas para a saúde dessa população, assim como redes de apoio social. “Essas pessoas vão precisar de quem cuide delas e é preciso estar de olho para que eles não apenas vivam mais, mas vivam com qualidade de saúde, lazer, de forma geral”.

Atividade física
Seu Moisés mora justamente na Vitória – o bairro que, de acordo com o IBGE, é o segundo com o maior número de idosos em Salvador. Só para dar uma ideia, no último Censo, 20,32% dos moradores tinham mais de 65 anos. O número aumentaria se fossem incluídos, também, aqueles com idades entre 60 e 64 anos, também considerados idosos no Brasil. A Vitória apenas perde para o bairro do Canela, mas é seguida de pertinho por Barra, Graça e Boa Viagem.

O aposentado entrou na academia há 15 anos. Um dia, uma das filhas, que é médica, chegou em casa anunciando que tinha pagado por um mês de aulas de hidroginástica para ele. Seu Moisés gostou da nova atividade e não largou mais. “Agora, quando eu chegar em casa, vou tomar uma cervejinha e um vinhozinho, para ficar perfeito”, brinca. Da caminhada, não abre mão nem aos finais de semana.

Pai de seis filhos, tem sete netos e dois bisnetos. Não lembra a idade de todos os filhos – o mais velho, se não tiver feito 70 já, “está perto de fazer”. Para exercitar a mente, lê jornais e revistas todos os dias. Ele só não gosta mesmo dessas novas invenções, como celulares ou computadores. “Não preciso e não quero ficar me preocupando com nada, muito menos com isso”, explica.

O aposentado Marcelo Costa, 62, também é do time que gosta do exercício. Todos os dias, percorre seis quilômetros entre o Jardim Apipema e o Porto da Barra – onde aproveita para dar aquele merecido mergulhinho. Pai de três filhos e de um neto de cinco anos que é o dono de seus domingos, Marcelo aproveita agora depois de ter trabalhado mais de 30 anos como engenheiro na Petrobras.

O aposentado Marcelo Costa, 62, caminha seis quilômetros diariamente (Foto: Marina Silva/CORREIO)

É apaixonado pela Barra, onde mora desde a década de 1990. “Daqui só saio para o Jardim da Saudade”, diz, aos risos, referindo-se ao cemitério em Campinas de Brotas. Também não dispensa o ‘choppinho’ de lei no Barravento, um dos seus pontos preferidos na Orla do bairro. Tenta fazer tudo a pé, por ali mesmo. O segredo para tanta vitalidade? “Viajar”, responde, sem dúvidas. Em fevereiro, inclusive, está de viagem marcada: depois de visitar o filho que mora em Portugal, vai percorrer outras cidades da Europa.

Cuidar da mente
A aposentada Amanda de Jesus, 67 anos, também tenta se manter ativa como pode. Faz ‘terapia da mente’ com um psicólogo para combater o esquecimento que começou nos últimos anos e se apaixonou pelo pilates. A mudança no estilo de vida veio há dois anos, depois de passar um período sem andar por problemas na coluna – incluindo cinco hérnias de disco. Após o tratamento, o médico recomendou os hábitos mais saudáveis.

Depois de ficar sem andar por um período, dona Amanda se tornou praticante de pilates (Foto: Marina Silva)

Moradora de Pau da Lima, costuma andar de ônibus sozinha pela cidade. “Minhas filhas tentam me acompanhar, mas elas trabalham, então o jeito é ir sozinha mesmo”, explica. Divide a rotina com uma das filhas e um cachorro de três anos chamado Théo. Para ela, o que não pode é ficar parada. “Tenho que cuidar da minha vida para não ficar arriada numa cama ou numa cadeira de rodas”.

“Tenho que cuidar da minha vida para não ficar arriada numa cama ou numa cadeira de rodas”, diz dona Amanda de Jesus, 67 anos

É bem como o médico aposentado Armando de Miranda, 88, pensa. Desde que se conhece por gente, vive no Campo Grande – e garante que conhece o bairro como poucos. “Vou ao banco, ao mercado, vou andar e me divertir”, conta ele, que é pai de três filhos e tem seis netos e quatro bisnetos.

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), se especializou no tratamento a doenças transmissíveis – incluindo as sexualmente transmissíveis – e AIDS. “De exame ginecológico a amputação, eu já vi de tudo”. Hoje, só lê sobre a medicina no computador, onde também acompanha as notícias de política.

Pode não parecer, mas seu Armando tem 88 anos. Ele não gosta de ficar parado(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Para garantir a lucidez, faz palavras cruzadas e, toda tarde, passeia pelo Campo Grande sozinho. A esposa, que hoje tem 84 anos, teve um princípio de AVC (Acidente Vascular Cerebral) há alguns anos e, desde então, não sai muito na rua. “Tenho que me movimentar. É por isso que continuo aqui. Já vi tanta gente indo embora, mas eu continuo”, brinca.

Estilo de vida saudável é essencial para qualidade de vida do idoso, dizem médicos

O fator mais importante para a saúde de uma pessoa idosa é o estilo de vida. É isso que aponta a geriatra Daniele Brandão, que defende que ‘não há fórmula mágica’. “A pessoa tem que ter um estilo de vida saudável, como toda a população. Tem que cuidar bastante da saúde física, mental, espiritual e ocupacional. A gente brinca que tem que manter os pés quentes, o coração morno e a cabeça fria”.

É comum que idosos tenham doenças crônicas – no mínimo, quatro ou cinco doenças, como hipertensão e colesterol alto. Por isso, é preciso fazer o acompanhamento contínuo, além de monitorar outras enfermidades. O foco, segundo ela, deve ser na funcionalidade. “Se tem uma coisa que a gente preza muito é autonomia e independência. Se ele (o idoso) consegue ser dono da própria vida, administrar e não depender de outras pessoas, ele está bem”, explica.

“Se o idoso consegue ser dono da própria vida e não depender de outras pessoas, ele está bem”, afirma a geriatra Daniele Brandão.

Além disso, o ginecologista e obstetra José Carlos Gaspar, que atende mulheres idosas que desejam fazer reposição hormonal, recomenda que a alimentação seja balanceada. É preciso evitar gorduras e carboidratos – especialmente, a farinha de trigo. “A alimentação e atividade física seriam basilares, além de uma atividade profissional”.

Uma alternativa seria aprender uma nova língua estrangeira ou aprender sobre música e fazer novas leituras. “Isso vai ativar mais a memória, até porque o indivíduo chamado idoso hoje no Brasil, aos 60 anos, é uma pessoa jovem, considerando que a expectativa de vida no país está mudando”.

Atividade física para os idosos devem buscar aumento de massa muscular 
De acordo com o coordenador geral da academia Bodytech, Guilherme Valero, o interesse dos idosos por atividades físicas têm crescido tanto que há programas especiais destinados a eles. Nesses programas de treinamento, o atendimento é mais próximo do aluno do que nos treinos de outras faixas etárias.

“É preciso ter um cuidado porque o aluno já não tem mais o mesmo equilíbrio, força e destreza”, afirma Guilherme. Por isso, são priorizados exercícios em aparelhos, para que os idosos tenham mais equilíbrio. Até mesmo a respiração pode ser orientada mais facilmente.

Além disso, a evolução do treino é feito de forma lenta, progressiva e contínua. Como os idosos têm uma perda de massa muscular maior do que pessoas de outras faixas etárias, Valero explica que, normalmente, os alunos são orientados a procurar um nutricionista para indicar uma dieta balanceada.

A principal variável do treinamento dos idosos deve ser a força, por isso, os principais exercícios são de resistência. “Consequentemente, a qualidade de vida vai melhorar, porque ele vai conseguir carregar o neto, sentar e levantar sem ajuda ninguém, terá menos risco de queda e diminuir sequelas de uma queda que poderia levar até a óbito”.

O tratamento de força com o objetivo de ganho de massa muscular também pode retardar ou inibir a osteopenia – que é uma perda de massa óssea que pode levar à osteoporose. Com mais condicionamento físico, os idosos conseguem até brincar e se entrosar mais. “Eles vivem mais felizes do que aqueles que se queixam de dor. Cada vez mais, investimos nesse público que era tão carente de um acompanhamento mais humano”.