Novo Planeta na Estrela Centauri: próxima parada?

Novo Planeta na Estrela Centauri: próxima parada?

Você deve ter lido aqui a notícia da descoberta de um planeta orbitando a estrela Próxima Centauri. Mas por que a novidade está repercutindo tanto? Não se trata de apenas outro exoplaneta? Certo que é mais um, mas trata-se do exoplaneta mais próximo de nós! Mais próximo quanto? Algo como 4,2 anos luz de distância, a menor possível. É assim.

A estrela mais próxima do Sistema Solar é Alfa Centauri, a estrela mais brilhante da constelação do Centauro. Ela é fácil de ser localizada nos céus austrais, fica ao lado do Cruzeiro do Sul e, junto com a estrela Beta Centauri, forma as guardiãs do cruzeiro. Ocorre que Alfa Centauri é um sistema estelar triplo, possui duas estrelas muito próximas de si, Alfa Centauri A e B, que são muito parecidas com o nosso Sol e, um pouco mais afastada, Próxima Centauri. O sistema está a uma distância de 4,3 anos luz de distância, mas a Próxima, como próprio nome diz, está um pouco mais perto do que isso, uns 4,2 anos luz e por isso é a estrela mais próxima do nosso sistema.

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Há muito que se especula sobre a existência de um planeta no nosso vizinho mais próximo, já que os números mostram que, estatisticamente falando, deve haver um planeta para cada estrela da galáxia. Mais ainda, de cada cinco planetas, pelo menos um deve ser rochoso como a Terra. Há mais de dez anos que o sistema vem sendo estudado por caçadores de exoplanetas, usando as técnicas disponíveis, como trânsito planetário e velocidade radial por exemplo. Na primeira, observa-se a estrela por meses ou anos a fio esperando que um exoplaneta cruze na frente dela. Quando isso acontece, se acontece, o brilho da estrela diminui um pouco, voltando depois para o brilho normal. Após observar o fenômeno acontecer várias vezes, temos um candidato possível. O outro método mais utilizado é o da velocidade radial, em que a perturbação gravitacional do planeta sobre sua estrela hospedeira é registrado através de espectros ultra precisos.Finalmente, há uns cinco anos atrás, a equipe que projetou e construiu o melhor caçador de planetas via velocidades radiais, o espectrógrafo HARPS, anunciou que havia encontrado um planeta orbitando o sistema de Alfa Centauri. A detecção se dera no limite do instrumento, muita gente torceu o nariz, tipo eu, mas como eram os caras que inventaram e construíram o instrumento e ainda por cima escreveram todos os programas de análise de dados, todo o mundo aceitou. Algum tempo depois, outros astrônomos tiveram acesso aos mesmos dados de Alfa Centauri e refizeram o processamento sem encontrar o tal planeta.

A certeza (ou a vontade) de que havia um planeta em Alfa Centauri era tanta que o astrônomo Guillem Anglada-Escudé da Universidade Queen Mary, de Londres, montou uma força tarefa para monitorar o sistema, mais especificamente a estrela Próxima Centauri. Além de observar com o HARPS, depois que ele sofreu um baita upgrade, a equipe decidiu monitorar também o brilho da estrela em telescópios pelo mundo. Isso por que a Próxima é uma anã vermelha, muito mais ativa do que estrelas como o Sol, por exemplo. A atividade vem da existência de muitas manchas estelares que além de numerosas, são muito grandes, por isso, fortes tempestades magnéticas acontecem. Essa atividade toda surge nos espectros e pode ser confundida com um possível planeta. Aliás, parece que foi isso o que aconteceu com o planeta em Alfa Centauri. Então monitorando também o brilho da estrela, dá para retirar esses períodos mais nervosos da análise e não correr o risco de dar ruim como há cinco anos atrás.

A empolgação da equipe de Anglada-Escudé era tanta que eles criaram um site onde era possível acompanhar o andamento da pesquisa quase em tempo real. O site se chama “Pálido Ponto Vermelho” em homenagem a Carl Sagan.

E o esforço deu resultado!

Os espectros ultra precisos do HARPS mostraram a presença de um planeta orbitando Próxima, mas como o seguro morreu de velho, a equipe decidiu continuar o monitoramento por mais tempo, sempre casando as observações de espectros, com as de brilho da estrela. E os resultados mostram algo melhor do que a encomenda: o planeta, além de rochoso, está na zona de habitabilidade da estrela hospedeira!

A zona de habitabilidade é uma região do espaço ao redor de uma estrela onde a radiação emitida por ela é suficiente para fazer a temperatura ficar entre 0 e 100 graus centígrados. Em ambientes propícios, poderia haver água em estado líquido. Para que isso ocorra de fato, o planeta precisa ser rochoso, o que parece que é, mas precisa ter uma atmosfera densa para segurar o calor. E você sabe, se tem água, as chances de ter vida são muito boas!

Próxima b, como planeta foi batizado, está a uma distância da sua estrela menor do que Mercúrio está do Sol, mas como Próxima Centauri é muito menor que o Sol, as coisas se compensam. O problema é outro. Como se trata de uma anã vermelha, com atividade magnética intensa, o planeta deve ser banhado por radiação ultravioleta e raios X em doses enormes. Isso é letal para micro-organismos se desenvolverem, de modo que, se o planeta não tiver atmosfera densa e um campo magnético intenso, sua superfície deve ser estéril. No subsolo, em lagos e oceanos a coisa é diferente, uma vez que possíveis bactérias ETs estariam blindadas para sobreviver por algum tempo.

O mais legal dessa descoberta é que Próxima b é um planeta que podemos visitar! Não agora, mas em um futuro próximo, tipo uns 50-60 anos. Aliás, você deve ter ouvido a respeito de uma iniciativa de um bilionário russo, de fazer pequenas espaçonaves, tão espessas quanto uma bolacha recheada, ou biscoito recheado, impulsionadas por um potente feixe de laser disparado da Terra. Com pouca massa e muita potência, essas naves poderiam alcançar 20% da velocidade da luz, ou 216 milhões de km/h e fazer a viagem entre 20-25 anos. Para se ter uma comparação, a sonda Juno estabeleceu o novo recorde de velocidade para uma nave espacial chegando a 265 mil km/h. Mesmo a essa velocidade a viagem levaria uns 18 mil anos.

A iniciativa ganhou o apoio de ninguém menos que Stephen Hawking, mas ainda deve demorar um tanto para sair do papel. Conceitualmente a ideia é ótima e tem tudo para dar certo, mas fazer a ideia se transformar em realidade é outra coisa. A nave precisa ter pouca massa, caso contrário levará muito tempo para acelerar e, pior, ela nunca chegaria à velocidade pretendida. Então o desafio para as próximas 2 décadas é fazer uma nave com instrumentos de pesquisa, câmeras e, óbvio, uma antena para transmitir o que achar em tamanho pequeno com a menor massa possível, além de desenvolver e construir um canhão de laser ultra potente. O custo estimado disso tudo está na casa das dezenas de bilhões de dólares, o que daria para construir outro colisor de hádrons como o LHC, o mais caro equipamento de pesquisa jamais construído. Depois dessa encrenca resolvida, teríamos que esperar por uns 25 anos para a nave chegar lá e aguardar mais uns 4 anos para as imagens chegarem na Terra. Ou seja, isso é um projeto para 50-60 anos, algo como duas gerações de seres humanos.

A equipe que propôs o conceito já afirmou que passará a interagir com a equipe de Anglada-Escudé e quem mais estiver estudando Próxima b para obter o máximo de informações sobre esse planeta e assim poder planejar a missão. Será preciso saber a posição de Próxima b com exatidão e com uma antecedência de 25 anos, pelo menos, para não mandar a nave para o lugar errado da órbita.

Parece muito tempo, mas pensar em uma viagem interestelar em uma escala de tempo de meio século é fantástico! Mas que fique bem claro, não será uma missão tripulada, ainda nem sequer conseguimos pisar em outro planeta no nosso próprio Sistema Solar, quanto mais ir até outro planeta a mais de 4 anos luz de distância?

Essa descoberta vai repercutir por um bom tempo. A jornada nas estrelas está só começando!

A conjunção Vênus-Júpiter
Parece nome de filme de espionagem, mas não é. É coisa mais bacana!

Nesse sábado (27), no final da tarde, Vênus e Júpiter estarão em conjunção, ou seja, estarão muito próximos um do outro no céu. Veja bem, só no céu. No espaço estão separados por mais de meio bilhão de km.

A dica é bem simples, ao entardecer, olhe para a direção do poente. Você verá duas “estrelas” muito brilhantes e muito juntas. São os dois planetas. Aliás, tirando o Sol e a Lua, Júpiter e Vênus são os objetos mais brilhantes do céu.Mas não vacile! Como os dois estão muito baixo no céu, eles vão rapidamente sumir no horizonte. Lá pela 18h já deve ser possível ver os dois e conforme vai escurecendo, fica mais fácil de ver o par de planetas. A partir das 18h40 já vai ficar difícil de vê-los, pois estarão muito baixo. Quem tiver um horizonte limpo deve ganhar uns 10 minutinhos a mais, mas de modo geral, o espetáculo deve durar uns 40 minutos apenas.

Essa imagem mostra o aspecto do céu por volta das 18h15 do sábado. Dá para notar que, de tão próximos, os planetas estão encavalados nessa escala de visada. Mercúrio estará pertinho, mas ele é difícil de ver, pois é muito mais fraco.

Ia ser legal ver o pôr do sol hoje, amanhã e domingo. Hoje, Vênus (o mais brilhante dos dois) está mais abaixo de Júpiter, no sábado ambos estarão praticamente empilhados e no domingo Vênus estará acima de Júpiter. Acho que vale a pena, a próxima oportunidade será apenas em março de 2023!

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