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Prisão sem sentido

A jovem brasileira Anna Stéfane Radeck de Carvalho Ferreira se organizou antecipadamente para passar o aniversário na Florida, ao lado da tia, residente em Orlando. Devidamente munida do visto de turista, da autorização de viajar desacompanhada, e de toda a documentação necessária, partiu na quarta-feira 10 em direção ao sonho de desfrutar dias de sol nos parques da Disney. Mas, na sexta-feira 26, data em que completava 17 anos, a adolescente vivia um pesadelo, presa havia duas semanas pela imigração americana num abrigo de menores em Chicago. A situação absurda começou no aeroporto de Detroit, no Estado de Michigan, onde Anna Stéfane fez uma conexão e foi barrada, sob a alegação de que não havia nenhum maior de idade com ela. Segundo sua mãe, Liliane Carvalho, a menor ficou detida por cerca de dez horas numa sala, ainda no aeroporto, junto com outra menina de 13 anos, até ser levada para o centro. A própria filha avisou os pais de sua situação, por meio de um aplicativo de mensagens no celular.Mas o tormento da jovem brasileira, que já havia viajado para os Estados Unidos em outras ocasiões, estava apenas começando. Ela só pode se comunicar com a família três dias depois, quando já havia sido transferida para o abrigo de Chicago, distante cerca de seis horas do aeroporto de Detroit e dois mil quilômetros de Orlando, seu destino inicial. Havia sido obrigada a tomar dez vacinas, cinco em cada braço, estava febril, segundo relato da mãe, e chorava muito, bastante abalada. Toda sua bagagem havia passado por higienização e ela teve de usar uniforme, ficando apenas com as roupas íntimas. “Ela me disse que não está sendo maltratada, mas não tem idéia do que vai acontecer. Ninguém fica bem trancafiado desse jeito”, diz Liliane, que, desesperada, viajou aos Estados Unidos para resgatar a filha, em vão. A brasileira está lá desde a terça-feira 16, contratou um advogado e procurou o Consulado-Geral do Brasil na cidade, mas só conseguiu ver Anna Stéfane uma vez, num encontro de cerca de uma hora que a deixou ainda mais angustiada: a menina estava com uniforme do centro de detenção e vigiada por um policial armado (ela só tem direito a dois telefonemas e um encontro por semana). Liliane iria ter novamente com a filha na manhã de sexta-feira 26, por um breve período. “Acho que vai ser muito triste, muito angustiante porque vai ser o aniversário dela. Vai ser bom abraçá-la, mas vai ser triste porque ela está pagando por uma coisa que não fez. Ela não fez nada e está presa.”

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A angústia da mãe, que chora copiosamente a cada fala, reflete o absurdo da situação. Até o momento não se sabe por que a adolescente brasileira está detida, passando momento de extrema aflição em um país desconhecido, longe dos familiares e sendo tratada como uma criminosa. Mais do que isso, ninguém entende o motivo pelo qual Anna Stéfane não pode voltar para o Brasil, uma vez que a família já está nos Estados Unidos para resgatá-la. “É minha filha e o governo americano está se apropriando dela. Só quero a Stéfane de volta, é um direito meu”, afirma Liliane. De acordo com os pais, os documentos fornecidos pela imigração americana não apresentam qualquer justificativa para o caso – apenas frisa que a menina estava desacompanhada. “Aqui nos EUA não admitem que você minta, mas mentem para mim o tempo todo sobre a situação dela”, diz a mãe.

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Caso sigiloso

O Consulado Brasileiro em Detroit pediu reunião de urgência com as autoridades americanas para tentar solucionar o caso – que já deveria ter sido resolvido há muito tempo. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que representantes estão em “contato permanente com os pais da menor e com as autoridades locais”, porém, não há uma previsão para liberar a adolescente. A Embaixada dos Estados Unidos declarou que, para proteger a privacidade dos cidadãos americanos e de visitantes aos EUA, leis americanas proíbem a entidade de comentar ou compartilhar detalhes sobre casos individuais de visto ou imigração de cidadãos. “Estamos cientes do caso em questão e sabemos que as autoridades americanas apropriadas também estão cientes e trabalhando nisso. Esperamos que tudo seja resolvido rapidamente para os envolvidos.”

Essa não é a primeira vez que acontece uma situação absurda como uma adolescente brasileira nos EUA. Em abril, Anna Beatriz Theophilo Dutra, 17 anos, de Palmas (TO), chegou ao aeroporto de Detroit, o mesmo em que Anna Stéfane desembarcou, e foi apreendida durante uma conexão para Boston, onde se hospedaria na casa de uma amiga. A alegação das autoridades foi de que Anna Beatriz queria entrar no país com visto de turista quando sua intenção era estudar. A informação foi negada pela família, que reiterou a viagem da garota apenas a passeio. Como Anna Stéphane, ela passou horas na imigração e foi levada para um abrigo de menores. Voltou ao Brasil no dia 3 de maio, após 15 dias retida.

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