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A olimpíada nos deixa como legado a esperança

Enquanto o BRT, como são chamados no Rio de Janeiro os ônibus com ar condicionado que circulam em vias expressas, avança rapidamente, um grupo de torcedores brasileiros comemora o ouro do boxeador Robson Conceição, conquistado minutos antes. Eles estão felizes, cheios de revigorado orgulho nacional, e cantam a plenos pulmões palavras que reverenciam o País onde nasceram. “Brasil, Brasil, Brasil”, gritam, para espanto – e certa inveja – dos estrangeiros que dividem o coletivo. A cena traduz os três maiores legados que a Olimpíada deixará. O primeiro diz respeito às melhorias trazidas para a cidade-sede. Símbolo onipresente destes Jogos, os BRTs são um avanço e tanto. Confortáveis, velozes e eficientes, eles percorrem, graças à Olimpíada, 155 quilômetros de vias, devendo atender, após o término das competições, um contingente de 2,5 milhões de pessoas. O triunfo de Robson, o primeiro do boxe brasileiro em quase 100 anos de Olimpíadas, é a imagem perfeita do legado esportivo, a prova de que os Jogos no Brasil ajudaram a desenvolver modalidades que andavam esquecidas. O terceiro legado é provavelmente o mais perceptível. Como há muito tempo não se via, os brasileiros estão cheios de esperança, felizes com a Olimpíada que foram capazes de organizar e com a oportunidade rara de desfrutar de um período luminoso de uma das cidades mais iluminadas do mundo. A Olimpíada reergueu a nossa auto-estima e varreu para longe o desânimo político e econômico que paralisou a nação nos últimos dois anos.Antes de as competições começarem, os Jogos do Rio enfrentaram intenso ataque. Uma sórdida campanha internacional, motivada tanto por desinformação quanto por preconceito, dizia que o mundo estava prestes a conhecer uma tragédia. Dentro do próprio País, por motivações políticas ou pura má-vontade, muita gente duvidou do sucesso do evento, como se o Brasil estivesse condenado, por alguma insondável força superior, ao fracasso eterno. No campo esportivo, deu-se algo parecido. Bastaram algumas derrotas iniciais para os pessimistas de plantão entrarem em cena, praguejando contra os atletas nacionais. Por mais que tenham tentado denegrir o Rio, por mais que os chatos e ignorantes tenham dito no começo das disputas que nossos competidores eram uma porcaria, é impossível ocultar a verdade. O Rio de Janeiro fez uma grande e inesquecível Olimpíada.Se você era contrário à realização do evento no País, preste atenção a este argumento: o Rio de Janeiro se tornará uma cidade melhor depois dos Jogos. A degradada zona central agora é um lugar com museus, restaurantes e agitada vida noturna. A cidade ganhou um novo polo turístico, especialmente no entorno da outrora decadente Praça Mauá. “A restauração da Zona Portuária é um projeto extraordinário”, diz o urbanista Jaime Lerner. A valorização de regiões centrais foi um movimento bem-sucedido em cidades como Barcelona, na Espanha, e Berlim, na Alemanha, tendo forte impacto nos negócios turísticos.Na área de transporte, os ganhos são ainda mais evidentes. Além dos funcionais BRTs, o município recebeu uma nova linha de metrô, que liga Ipanema à Barra da Tijuca. Se antes o trajeto de carro levava mais de uma hora, agora é possível ir de uma ponta à outra, sobre trilhos, em 20 minutos. Também entrou em cena o bonde VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), que liga a rodoviária e o aeroporto Santos Dumont a estações de metrô. A cidade herdará outros benefícios. Após a realização da Paralimpíada, entre 7 e 18 de setembro, os equipamentos olímpicos começam a ser desmontados para servir a cidade. O 1,18 milhão de metros quadrados do Parque Olímpico será fatiado em empreendimentos residenciais e comerciais, centro de treinamento para atletas de alto rendimento e ginásios municipais.Em termos de imagem, é incalculável o valor da Olimpíada para o Rio. Os cenários espetaculares em que foram realizadas algumas competições – canoagem e remo na Lagoa Rodrigo de Freitas, triatlo em Copacabana, ciclismo em plena Floresta da Tijuca – percorreram o mundo e reforçaram a impressão, de certa forma já difundida, de que se trata de uma cidade de beleza radiante. Olimpíadas anteriores mostraram que um evento deste porte é capaz de impulsionar o turismo durante muito tempo. Depois de Barcelona-1992, a cidade viu o número de visitantes estrangeiros aumentar 40% em 5 anos. Em Sydney, que promoveu os Jogos de 2000, o percentual chegou a 30%. Qual será o impacto no Rio, que certamente transmitiu para o mundo imagens mais impactantes? Durante os Jogos, era quase impossível encontrar um turista insatisfeito. Eles ficaram extasiados, e isso não é uma mera percepção. Segundo o Ministério do Turismo, 83% dos estrangeiros que estiveram no Rio durante o período de Jogos pretendem voltar à cidade. Eles gastaram, de acordo com a Riotur, R$ 5 bilhões, mais dos que os R$ 4 bilhões previstos. Influenciada pelo sucesso da Olimpíada, a última edição da revista inglesa The Economist disse que o Brasil, agora, só tem um caminho a seguir: “para cima.”

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