Saúde

Obesidade: educar ou chocar?

A ODONTOLÓGICA é a principal Clínica da Chapada Diamantina. Atende as regiões de Itaberaba, Iaçu, Boa Vista do Tupim, Ruy Barbosa, Itaetê, Marcionílio Souza, Wagner, Utinga, Lençóis, Andaraí, Nova Redenção, Lajedinho, Ibiquera. Realiza atendimentos com especialistas em odontologia nas áreas de ortodontia, implantes, cirurgia, endodontia (tratamento de canal), odontopediatria, restaurações, periodontia, laserterapia, estética. Procedimentos Realizados: Restaurações, Estética, Periodontia, Tratamento de canal, Ortodontia, Aparelho ortodôntico, Extrações, Profilaxia, Remoção de tártaro, Implante, Enxerto ósseo, Levantamento de seio maxilar, Implantes Carga Imediata. Dr. Gardel Costa é Doutorando, Mestre e Especialista em Implantes, Especialista em Ortodontia, pós-graduado pela New York University.

Há 20 anos me dedico a cuidar e entender o que acontece aos pacientes com obesidade. Operei no mundo todo, escrevi livro e artigos, fiz mestrado e doutorado e, principalmente, vivenciei e vivencio a vida deles. Aprendi muito. O Brasil é um dos países com uma das maiores epidemias de obesidade, mas será que nós e o governo sabemos realmente quais as reais consequências dessa doença?

Será que a população sabe que a infiltração gordurosa no fígado, conhecida como esteatose hepática, pode levar a uma hepatite por gordura e cirrose hepática? Hoje, essa já é a segunda causa de transplante de fígado. E quantas das mortes anotadas como infarto decorreram de uma barriga volumosa, que sabidamente inibe uma enzima protetora das coronárias e facilita o acúmulo de gorduras nela?

Diversos estudos demonstram que, em alguns anos, nenhum sistema de saúde terá capacidade financeira de arcar com os custos de pacientes infartados, hipertensos, diabéticos e com outras tantas doenças causada pela obesidade.

Estamos lidando com uma epidemia de ramificações descontroladas, potencializada por uma população mal informada. Campanhas para enfrentar a aids, o tabagismo e mesmo para estimular o uso do cinto de segurança inicialmente chocaram a população, mas pouco a pouco todos entenderam que, às vezes, o impacto de uma má notícia serve como aprendizado.

É dever nosso, e principalmente do governo, demonstrar a trágica história de saúde que acompanha a obesidade — assim como fizemos com o fumante. É a partir daí que cada um deve decidir se é esse o caminho que planejava trilhar. Era isso que você imaginava quando criança?

O excesso de peso pode dificultar o caminhar e as atividades cotidianas mais simples, como tomar banho ou se higienizar. Não se trata de discriminar o obeso. Pelo contrário. Estamos falando de uma doença, e não de preguiça ou gula. Existem milhões de indivíduos com obesidade em filas para tratarem problemas associados a ela.

A cirurgia bariátrica

O Sistema Único de Saúde incorporou às suas diretrizes medidas como a disponibilização da cirurgia bariátrica por acesso videolaparoscópico, sabidamente muito mais seguro e menos invasivo. No entanto, essa ainda não é uma realidade na maioria dos serviços espalhados pelo país afora.

O acesso ao procedimento ainda está limitado, e não cresce na mesma progressão que a quantidade de obesos em situação de morbidade. O tempo de espera nas filas para a cirurgia bariátrica, dependendo do Estado, pode chegar a sete anos. Alguns, como Rondônia, Paraíba, Acre, Roraima e Piauí, sequer disponibilizam o procedimento.

O Rio de Janeiro, no entanto, tem dado o exemplo e está garantindo vida a essa população. Em pouco mais de seis anos, saímos de uma realidade de 20 cirurgia por ano para cerca de 500 em 12 meses. E todas por acesso videolaparoscópico, o que inspirou o Ministério da Saúde a recomendar o mesmo para todo o país.

O tempo de espera médio para atendimento no Rio de Janeiro não chega a um ano e a chamada fila está totalmente equilibrada. Estamos chegando a 2 mil pacientes operados, que juntos perderam quase 100 toneladas de peso.

No Rio, provamos que é possível. Dignidade no tratamento de uma doença que é grave e está matando.