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O renascimento das princesas

Caçula de seis irmãs, Arielle Botrel tem 16 anos, é ruiva de cabelos ondulados e figura entre as maiores promessas da natação brasileira na disputa por uma medalha olímpica nos Jogos Rio-2016. Filha de um ex-nadador profissional e de uma cantora que morreu de complicações durante seu parto, Arielle vive as angústias, dilemas e sonhos de qualquer garota da sua idade, embora sua rotina seja um pouco diferente. Para cumprir a extenuante agenda de treinos, ela é impedida de ter uma vida “normal”. Não pode ir a baladas nem perder tempo com ficantes. Enquanto suas irmãs, que formam a banda de música pop Memaid Sisters, vivem perfumadas e rodeadas de fãs, ela está sempre cheirando a cloro.

Os sonhos e aventuras de Arielle cobrem as páginas de “Princesa das Águas” (Galera Record), adaptação da fábula “A Pequena Sereia”, do dinamarquês Hans Christian Andersen, recém-lançada pela escritora Paula Pimenta, 42 anos. A obra se encaixa na mais forte tendência mundial da literatura teen. Recordista de vendas entre as escritoras que se dedicam a esse público, Paula estreou no mundo do “Era uma vez…” ao ser convidada para fazer parte da coletânea “O Livro das Princesas”, ao lado das norte-americanas Meg Cabot e Lauren Kate e da carioca Patrícia Barbosa. Em seu conto para o livro, a autora transformou Cinderela em uma DJ maltratada pela madrasta. Depois, em “Princesa Adormecida”, fez a heroína se apaixonar via whatsapp. “Eu gosto de escrever sobre o cotidiano, mas sempre fui louca por contos de fadas”, afirma. “Tento seguir a linha básica do conto original, trazendo a história para a realidade presente. Foi pensando nisso que coloquei a Olimpíada em ‘Princesa das Águas’”, diz.

Parte desse fenômeno se deve ao uso inteligente que a autora faz das redes sociais. “A internet ajuda a criar expectativa e permite um contato direto com as leitoras”, diz. “Eu sou a primeira a mostrar as capas dos meus livros na rede. Gosto de saber o que estão achando, peço opiniões e até uso comentários no contexto das histórias”. Segundo Paula, essa interação é saudável para as duas partes. “As leitoras me ajudam a perceber características das personagens que eu sequer havia notado, como o fato de uma das minhas princesas ser muito chorona”, revela.

Final feliz

Do lado das fãs, a proximidade com a autora estimula o gosto pela leitura e serve de inspiração para que escrevam – seja seus próprios livros ou blogs literários que acabam se tornando fundamentais na divulgação de cada novo trabalho lançado por Paula. “A tiragem inicial de ‘Fazendo meu filme’ foi de apenas 1 mil exemplares”, recorda, atribuindo o espetacular aumento das vendas ao velho e bom “boca a boca”. No seu caso, um boca a boca via blogs, Twitter, Snapchat e YouTube.

Curiosamente, apesar de esse renascimento das princesas se dever em grande parte à internet, Paula vende bem mais cópias de suas obras em papel que na versão digital. Ter uma estante cheia de livros parece ter se tornado um sonho de consumo das jovens leitoras. “Uma delas me disse que cada livro meu é como um bichinho de estimação”, diz a autora, que apesar do sucesso de suas princesas já planeja novos horizontes na literatura. “Vou começar uma série sobre uma menina apaixonada por livros”, avisa. Não resta dúvida de que essa história também terá final feliz.

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