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O primeiro homem a fazer xixi na Lua

Segundo homem a pisar na Lua durante a missão Apolo 11, logo depois de Neil Armstrong, o astronauta americano Edwin “Buzz” Aldrin, hoje palestrante e autor, foi pioneiro noutro feito lunar, como o próprio gosta de reiterar: ele foi o primeiríssimo a fazer xixi no satélite da Terra – através de um tubo instalado dentro de sua roupa espacial, é claro. Atualmente com 86 anos, o ex-piloto da Nasa pisa novamente em território inóspito, onde jamais esteve antes: o Rio de Janeiro. Dessa vez a apenas 7 760 quilômetros de casa, e com o único propósito de badalar. Espécie de vovô-propaganda da grife suíça Omega, que, além de ser a marca oficial dos Jogos Olímpicos desde 1932, forneceu os relógios de pulso usados pelos astronautas em julho de 1969, Aldrin curtiu a cidade adoidado.

O herói intergaláctico vibrou ao testemunhar a primeira medalha de Fiji numa Olimpíada (ouro no rugby de sete masculino), assistiu ao nadador conterrâneo Michael Phelps ganhar uma de suas quatro douradas no Rio, se divertiu na final do time feminino de ginástica dos Estados Unidos (outro ouro), acompanhou a canoagem, visitou o Pão de Açúcar (e fez ‘carão’ para a foto), sambou (ou pelo menos tentou) todo paramentado com uma fantasia carnavalesca e deu pinta, claro, numa das concorridas noites da Casa Omega, instalada em Ipanema. Lá, além de uma rápida palestra sobre sua carreira, fechada para convidados selecionados a dedo, recebeu pouquíssimos convivas num jantar intimista regado a vinhos finos e champanhe.

Oferecido pelo CEO da Omega, Raynald Aeschlimann, em homenagem a Buzz, o banquete tinha cerca de quinze comensais, entre eles clientes vips da marca, empresários da cena carioca-global, o rabino Nilton Bonder, nome de peso na cena judaica carioca, e VEJA. Dono de um estilo peculiar e extremamente patriótico, o homem que já esteve no espaço sideral apareceu de terno e gravata estampada com a bandeira dos Estados Unidos, além de meias com o mesmo motivo, combinando. No blazer, pins relembrando um passado glorioso – e perigoso (o então presidente americano Richard Nixon, à época, chegou a preparar o funeral dos astronautas e discurso solene temendo uma tragédia). Apesar de se furtar a responder perguntas sobre a existência de Deus, Buzz carrega nos dois pulsos uma profusão de pulseiras que lembram o juzu, tradicional bracelete de contas budista. São tantas que quase encobrem o relógio do qual é embaixador. Nos dedos, inseparáveis anéis de ouro – como o que revela uma meia lua na companhia de uma estrela solitária.

A célebre frase “Este é um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade” pode até ter sido proferida pelo capitão da Apollo 11, mas Aldrin é quem aparece na maioria das fotos e vídeos feitos lá em cima – Armstrong era o responsável por registrar tudo com a câmera. Vaidoso, Buzz foi ainda o primeiro homem a tirar uma selfie no espaço (“Se eu soubesse que ia virar moda, teria patenteado o termo”). Ele brinca, ainda, que ir à Lua estava escrito em seu destino. “Minha mãe se chamava Marion Moon. Quer sinal maior do que ter este sobrenome na sua família? Mas é claro que isso não significa que o Bruno Mars vai chegar a Marte”, diverte-se citando o cantor pop. Buzz, aliás, vem de “brother” (irmão), como suas irmãzinhas pronunciavam na infância – em 1988, o apelido foi registrado como nome oficial.

Sem vento ou variação atmosférica que possam apagá-las, as marcas deixadas pelas botas de Armstrong e Aldrin, os dois tripulantes do módulo Águia, devem ficar impressas na superfície lunar por centenas de milhares de anos. Uma vez conquistado, no entanto, o satélite perdeu a graça, sendo eclipsado por Marte, que se tornou a grande obsessão de Aldrin. E pauta obrigatória durante o jantar na Casa Omega. O astronauta só falava do planeta vermelho, em looping, inclusive dando instruções de como deveria ser o relógio no pulso dos primeiros astronautas a chegarem lá. Segundo ele, há grande chance de serem os chineses, mas não se pode assinar embaixo de tudo o que o americano diz. Dono de um humor sarcástico, ele chegou a ser aconselhado por sua Relações Públicas, Christina Korp, a evitar as ironias. Apesar do raciocínio por vezes falho devido à avançada idade, Buzz explica de cor e salteado sua tese científica para transportar os humanos ao distante corpo celeste. O conceito envolve uma manobra estilingue que deverá ser feita durante uma janela temporal que ocorre a cada 26 meses (quando Marte e Terra ficam próximos). A viagem, assim, seria mais rápida, duraria cerca de cinco meses, e Buzz pede para que levem suas cinzas. Desse certo, a tripulação permaneceria por um ano e meio em solo marciano até regressar ao planeta azul. Nem parece que o senhorzinho entusiasta da exploração espacial já foi reprovado na aeronáutica.

Segundo Aldrin, o ideal seria nem voltar de Marte, mas sim ficar por lá mesmo, garantindo o povoamento da colônia. E fazer o que naquele planeta, meu Deus? “Plantar batatas, por exemplo, como no filme. Você assistiu Perdido em Marte, com o Matt Damon? Foi inspirado na minha teoria”, diverte-se. “Agora, falando sério, eu sou apenas o cara do transporte. O resto não é comigo”, completa com um sorriso maroto no rosto. Buzz precisa ser interrompido por Aeschlimann, o CEO suíço, para que não se esqueça de terminar seu filé mignon escoltado por batatas ao murro e aspargos, antes que esfrie. Com a paciência de quem já foi e voltou da Lua, o cosmonauta espeta, pica e mastiga os alimentos calma e lentamente. Parece apreciar o prato, certamente melhor do que batatas marcianas. “E o senhor acredita em tecnologia alienígena na Terra?”, pergunto ao pé do ouvido, antes do derradeiro brinde de despedida. “Não, mas eles nos deixaram inscrições nas cavernas”, responde em tom sério.

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