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O engraxate que virou um bilionário da educação

A ODONTOLÓGICA é a principal Clínica da Chapada Diamantina. Atende as regiões de Itaberaba, Iaçu, Boa Vista do Tupim, Ruy Barbosa, Itaetê, Marcionílio Souza, Wagner, Utinga, Lençóis, Andaraí, Nova Redenção, Lajedinho, Ibiquera. Realiza atendimentos com especialistas em odontologia nas áreas de ortodontia, implantes, cirurgia, endodontia (tratamento de canal), odontopediatria, restaurações, periodontia, laserterapia, estética. Procedimentos Realizados: Restaurações, Estética, Periodontia, Tratamento de canal, Ortodontia, Aparelho ortodôntico, Extrações, Profilaxia, Remoção de tártaro, Implante, Enxerto ósseo, Levantamento de seio maxilar, Implantes Carga Imediata. Dr. Gardel Costa é Doutorando, Mestre e Especialista em Implantes, Especialista em Ortodontia, pós-graduado pela New York University.

Na juventude, Janguiê Diniz lustrou sapatos e vendeu laranjas para sobreviver. Hoje é dono da Ser Educacional, um dos maiores grupos do ensino superior privado do País.

Todos os dias, cerca de cinquenta e-mails chegam à caixa de entrada do empresário paraibano Janguiê Diniz vindos de alunos das instituições do grupo Ser Educacional, fundado por ele há 13 anos. As demandas são diversas, mas o tratamento é comum. Informal e acessível, Janguiê gosta de ser chamado de professor, apesar de já ter exercido as funções de juiz e procurador do trabalho em Recife. “Os alunos me vêem como um exemplo e isso me enche de energia”, diz. A identificação não acontece por acaso. Embora as instituições do grupo que inclui UniNassau, Faculdade Joaquim Nabuco e Universidade Guarulhos, para citar alguns exemplos, tenham perfis diversos, a maioria dos estudantes é composta por jovens trabalhadores entre 21 e 26 anos das classe média e média-baixa. Janguiê também foi um deles. Quando criança, trabalhou como engraxate e vendedor de laranjas. Na adolescência, mudou-se para a casa de um tio na capital pernambucana, onde trabalhou como datilógrafo e conseguiu se formar em Direito pela universidade federal. Foi lá que criou um curso preparatório para concursos públicos e deu início à companhia que se tornaria líder em educação no Norte e Nordeste. Se tudo der certo, em breve Janguiê abandonará o hábito de se corresponder com os alunos por e-mail simplesmente porque eles serão muitos.

Na semana passada, a Ser Educacional fez sua mais ousada investida ao propor uma fusão com a Estácio, segunda maior empresa de ensino superior privado do Brasil e com um número de alunos quatro vezes maior que a Ser. Dessa combinação, nasceria uma corporação de R$ 4 bilhões em receita, com enorme potencial no ensino à distância (até o fechamento desta edição, a Estácio e seu presidente, Rogério Melzi, não haviam aceitado nenhuma proposta). A nova empresa ainda seria menor que a Kroton, líder do mercado e primeira a fazer uma oferta pela Estácio, mas obrigaria as concorrentes a se movimentar num setor já bastante dinâmico em fusões e aquisições e que tem passado por um período de transição, devido aos recentes cortes no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O programa do governo federal foi peça-chave na expansão do mercado nos últimos anos. Em 2010, segundo o Observatório do Ensino do Direito da Fundação Getulio Vargas, as instituições privadas receberam R$ 880,3 milhões via Fies. Em 2014, esse montante saltou para R$ 13,7 bilhões. “A indústria sentiu um choque com o congelamento dos pagamentos do Fies no ano passado”, diz Bruno Giardino, analista de educação do Santander. “Mas, em 2016, houve uma sinalização de que os pagamentos seriam honrados no prazo e as empresas voltaram a pensar em comprar.”

No início do ano, os rumores eram de que o alvo da Kroton seria a Ser. “Já recebi inúmeras propostas tanto de grupos nacionais quanto estrangeiros”, afirma Janguiê. “Não aceitei, porque meu objetivo não é financeiro. Esse é um projeto de vida. A educação transformou minha vida e pode transformar a de todo mundo.” Em junho de 2014, o professor entrou na lista dos bilionários organizada pela revista Forbes com uma fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão, mas garante que não é um homem de negócios. O acompanhamento das ações da empresa na bolsa de valores (“vez ou outra as pessoas me dizem que subiram”) não é tão frequente quanto a visita aos campi, aos seminários, congressos e atividades esportivas promovidos pelas instituições do grupo.

“Meu sonho é proporcionar educação de qualidade para o maior número de pessoas a um preço acessível”, diz. A política agressiva de preços das faculdades particulares, ao lado da expansão desenfreada de cursos e vagas, está no centro das críticas sobre a baixa qualidade do ensino nessas instituições. O economista e ex-presidente do Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcio Pochmann chegou a classificar o fenômeno como uma “indústria de certificação”. As empresas, em contrapartida, dizem que, quanto maiores elas são, maiores são os ganhos de escala e os investimentos em tecnologia, fundamentais, sobretudo, ao ensino à distância. Autor de 15 livros – o mais recente foi a autobiografia “Transformando Sonhos em Realidade”, lançada no ano passado –, Janguiê se considera, antes de tudo, um educador. Por isso, promove palestras para contar sua história. Nessas ocasiões, realiza sorteios e organiza uma fila para tirar “selfies” com a plateia. “Quero estar entre os melhores”, afirma o ex-engraxate. “Só o impossível é digno de ser sonhado.”

Fonte: ISTOÉ

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