Educação

O Brasil está estagnado no – mau – ensino

A ODONTOLÓGICA é a principal Clínica da Chapada Diamantina. Atende as regiões de Itaberaba, Iaçu, Boa Vista do Tupim, Ruy Barbosa, Itaetê, Marcionílio Souza, Wagner, Utinga, Lençóis, Andaraí, Nova Redenção, Lajedinho, Ibiquera. Realiza atendimentos com especialistas em odontologia nas áreas de ortodontia, implantes, cirurgia, endodontia (tratamento de canal), odontopediatria, restaurações, periodontia, laserterapia, estética. Procedimentos Realizados: Restaurações, Estética, Periodontia, Tratamento de canal, Ortodontia, Aparelho ortodôntico, Extrações, Profilaxia, Remoção de tártaro, Implante, Enxerto ósseo, Levantamento de seio maxilar, Implantes Carga Imediata. Dr. Gardel Costa é Doutorando, Mestre e Especialista em Implantes, Especialista em Ortodontia, pós-graduado pela New York University.

A cada três anos a OCDE (organização dos países mais desenvolvidos) divulga o ranking mundial do ensino. E toda vez que isso acontece fica evidente o atraso do Brasil. Nos dados anunciados hoje, há um outro aspecto ainda: os estudantes brasileiros não estão apenas no pelotão de trás como se encontram no mesmíssimo patamar que uma década atrás em ciências, a disciplina analisada nesta nova edição. Também em leitura e matemática o país não subiu de nível. É verdade que outros países, inclusive os europeus, deram uma estagnada. Mas pararam em nível já avançado. O Brasil, não: continua muito abaixo da média da OCDE e atrás de nações que investem menos na educação, como Colômbia, México e Uruguai. No número 1 da lista desponta Singapura.

Entre os 540 000 estudantes, de 15 e 16 anos, nos 72 países avaliados, os brasileiros ficaram em 63º lugar na prova de ciências, 59° em leitura e 65° em matemática (ver rankings). Pode-se atestar o mau resultado do Brasil sob diversas prismas. Em ciências, 60% dos alunos não passam do nível 2 numa escala que chega a 7. Segundo relatório da OCDE, essa turma não detém conhecimento mínimo para a “participação plena na vida social, econômica e cívica”. Em outras palavras, mais da metade dos alunos brasileiros não tem o repertório básico para conseguir identificar e explicar fenômenos científicos bastante simples.

Os desdobramentos do mau ensino de ciências para a economia são mensuráveis. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (WIPO), o Brasil fica na 19ª posição na produção de patentes em comparação com vinte países – à frente apenas da Polônia e atrás dos emergentes China, Rússia, Índia e África do Sul. “Para se tornar inovador, falta ao Brasil oferecer um bom ensino das ciências desde as primeiras séries escolares”, diz o matemático Jacob Palis, pesquisador do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Enfatiza ainda o especialista Claudio Moura Castro, colunista de VEJA: “Sem uma base científica, o país estará condenado a áreas econômicas que demandam menos tecnologia e inovação. ”

O Pisa comprova de forma inequívoca que mais dinheiro não é sinônimo de mais educação como tanto se alardeia. Em 2012, o Brasil investia por aluno o equivalente a 32% dos países mais ricos; avançou para 42% em quatro anos. Mas a escola brasileira seguiu empacada no rol das piores do mundo. Com um investimento 5,7% menor, proporcionalmente, o vizinho Chile está quase 20 posições acima. De acordo com o Instituto Idados, dentre 34 países, o Brasil é o quinto no percentual de verbas que destina para a sala de aula em relação ao PIB: 5%. “De nada adianta colocar mais e mais verbas em um sistema que claramente não deu certo”, alerta João Batista de Oliveira, do Instituto Alfa e Beta.

A experiência dos países que estão no topo do ranking do ensino, entre eles Singapura, China (Taiwan), Japão e Finlândia, nesta ordem, mostra que a alavanca para saltar no ensino reside em apostar todas as fichas no professor: esses países conseguem atrair os melhores alunos para a docência não só com salários iniciais atrativos, mas com uma carreira que abre espaço para que os mais talentosos avancem e sejam valorizados. Eles são exaustivamente treinados para encarar a sala de aula. Também o currículo nesses lugares vem sendo modificado para dar conta das demandas do século XXI – experiências que o Brasil deve observar agora que está elaborando o seu primeiro currículo nacional.

Os melhores alunos brasileiros, aqueles de renda mais alta e egressos de escolas particulares, apenas ombreiam com os medianos das nações que se dão bem na sala de aula. Menos de 1% dos estudantes daqui chegam aos patamares mais elevados de aprendizado, segundo o Pisa. Nos países da OCDE, o grupo da excelência é sete vezes maior. O Brasil precisa correr para não ficar fora deste jogo cada vez mais disputado.