‘Não assisto TV aberta, não tenho paciência’, afirma João Gordo em retorno à TV

'Não assisto TV aberta, não tenho paciência', afirma João Gordo em retorno à TV

Conhecido por uma sinceridade que, por vezes, se confunde ao “politicamente incorreto”, é difícil ficar neutro diante da figura de João Gordo. Após quase quatro anos do fim de sua passagem pela Record, onde participou doLegendários e do Ídolos Kids, ele retorna à TV com Eletrogordo, programa de entrevistas que estreia nesta segunda, 29, no Canal Brasil.

“Depois de música pesada, o que eu faço melhor é entrevistar as pessoas. Já entrevistei mais de 2 mil”, analisa João, cujo programa terá bate-papos com personalidades, que vão até sua fictícia oficina de eletrodomésticos (por isso o nome Eletrogordo) para consertar objetos vintage.

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“Fiquei com medo de tomar choque, não troco nem lâmpada. Eu sou torneiro mecânico formado, trabalhei na área pouco tempo, no começo dos anos 1980, mas logo depois larguei tudo e fui pro rock”, revela o vocalista do Ratos de Porão, que foi convidado a retornar à TV pelo jornalista André Barcinski, que também escreve sua biografia.

Durante esse tempo, João não ficou parado. Abriu um canal no YouTube e fez bastante sucesso com o Panelaço, programa de entrevistas em que recebe convidados em sua casa. “Vou tentar continuar com o YouTube porque tenho muitos fãs, e a gente divulga uma parada legal que é o veganismo”, ressalta, aliviando os espectadores do canal.

Engana-se quem pensa que João busca inspiração em entrevistadores consagrados para exercer seu trabalho. “Vou perder meu tempo vendo esse povo chato do c***? Assisto esses programas de crime, alienígenas do passado, mais nada. Não assisto TV aberta, não tenho paciência.”

Porém, ele revela grande admiração por dois dos principais humoristas da história do país, e acredita ser possível utilizar seus aprendizados nas entrevistas. “Tem aquela história do Renato Aragão de utilizar o erro em benefício próprio, isso eu sempre fiz. Com o Chico Anysio também, a improvisação, que é muito importante. Conheci os dois pessoalmente, conversei e até chorei”. Perguntado sobre suas pretensões de entrevistar o eterno Didi Mocó, concluiu: “Acho difícil. Ele é do Rio, a gente não tem verba pra trazer gente de fora, mas quem sabe um dia.”

João Gordo chegou a realizar 28 entrevistas em uma semana durante as gravações do programa, que trará nomes como PC Siqueira, Rita Cadillac, Lucélia Santos, Moacyr Franco e muitos outros. Também haverá o resgate de nomes “das antigas”, como o humorista Ferrugem e o cantor Prini Lorez. “Ele praticamente só existia naquela música Festa de Arromba, do Erasmo Carlos. Além de vergonha na cara, o que falta ao brasileiro é a memória. Vão esquecendo as pessoas, têm memória curta. Resgatar o Prini Lorez, e saber que ele era muito famoso em 1963, 1964, é louco pra c***.”

Questionado se já havia recebido recusas de entrevistados por conta de seu estilo, o metaleiro confirma, mas prefere não citar nomes. “Isso era mais na época da MTV, que o pessoal tinha meio que um medo de mim. Foram poucos c**ões, não vou dar ibope pra esse tipo de gente à essa altura do campeonato.”

João também ressalta a importância da diversidade entre seus convidados, citando o exemplo do funkeiro MC Guimé, principal nome do funk ostentação, corrente musical do extremo oposto ao punk do Ratos de Porão. “O Guimé foi humilde, veio aqui na minha casa. O cara é rico, tem lá o diamante no pescoço, faz o que quiser da vida dele, não tenho nada a ver com isso. O som do cara é uma b***, não curto. Mas o cara é humilde pra c***, inteligente, fala bem, tem argumentos.”

“Eu acho o máximo. Se você pesquisar lá atrás, na MTV, a diversidade dos convidados dos meus programas é bruta. Vai ter de Dado Dolabella a Padre Marcelo Rossi. Você não pode ver com esse olhar brasileiro radical. Tirando o som, 90% das pessoas que eu entrevistei são gente finíssima, inteligentes e profissionais”, complementa.

Perguntado sobre qual trabalho na TV mais gostou de fazer, João também conta que a maior parte de suas alegrias profissionais não vêm da carreira televisiva. “Não me lembro de alguma satisfação pessoal fazendo um programa desses aí. A satisfação chega mais via Ratos de Porão do que qualquer outra coisa. Junho, agora, foi o ápice da minha carreira musical: toquei no Hellfest, na França, no dia do Black Sabbath, num palco para mais de 40 mil pessoas. Isso já compensa tudo”.

O programa vai ao ar às segundas-feiras  a partir da meia-noite, no Canal Brasil.

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