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Saúde

Mulheres buscam redução da bochecha para afinar o rosto

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Depois da lipoaspiração e da prótese de silicone, um novo objeto de desejo de mulheres jovens entre 20 e 30 anos tem sido a cirurgia plástica que elimina as bochechas.

Ainda pouco conhecida no Brasil, a bichectomia envolve a retirada da chamada bola de bichat, um acúmulo de gordura na região das bochechas que, quando aumentado, dá um aspecto arredondado na face. Nos EUA, a cirurgia é feita há 40 anos.
O procedimento envolve dois cortes dentro da boca, de 1 a 3 cm cada um, por onde a gordura é tracionada. Pode ser feito com anestesia local e sedação ou anestesia geral. Dura cerca de 40 minutos e a recuperação, segundo os médicos, é semelhante à extração de um dente do siso. O custo da cirurgia varia de R$ 4.700 a R$ 7.000. Ela pode ser feita em hospital ou em clínica.

O cirurgião plástico Eduardo Kanashiro, chefe do ambulatório de face do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, afirma que a cirurgia deixa o rosto mais fino e cria a sensação visual de que a pessoa está mais magra.

“Muitas mulheres se incomodam com a bochecha. Acham que as deixa gordas e que, por mais que emagreçam, o rosto continua gordinho, com aspecto infantil.”

Ele começou a fazer a cirurgia há pouco mais de um ano e diz que viu aumentar o interesse. Nos últimos três meses tem operado quatro pacientes ao mês, mas todos os dias recebe pelo menos três telefonemas de pessoas interessadas, a maioria mulheres jovens.

Já o cirurgião Fabio Nahas, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), vê com ressalvas o procedimento. Segundo ele, no processo de envelhecimento, há uma diminuição do volume de gordura da face e, consequentemente das bochechas.

“A diminuição do volume hoje requer injeção de gordura depois de dez anos. Há cada vez mais consenso de que o envelhecimento não acontece pelo excesso de pele, mas sim pela perda do volume de gordura”, explica.

Kanashiro, no entanto, defende a bichectomia. Afirma que apenas o excesso de gordura é retirado durante o procedimento. “Não faz falta.”

Segundo ele, a bola de gordura, que fica entre dois músculos da face, serve para facilitar a contração deles. “Ela a mesma origem genética da bolsa de gordura embaixo dos olhos. A gente só tira o que está em excesso.”

RISCOS

Embora pareça simples, a bichectomia envolve riscos. Um deles é o corte acidental de nervos, que pode provocar paralisia facial. Outro é lesionar o ducto parotídeo, o canal que transporta a saliva.

“O especialista precisa ter experiência. Muitos médicos não têm familiaridade com a anatomia da região [dentro da boca]. Tenho um colega que tentou fazer isso, por fora da boca, e acabou lesionando o nervo da paciente”, conta Kanashiro, que também é cirurgião craniofacial.

Para João de Moraes Prado Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a bichectomia tem um risco alto. “Não é uma cirurgia que me apaixone. A bola de bichat fica em meio a estruturas muito nobres, como a parótida e nervos faciais que, uma vez lesados, causa paralisia parecida com sequelas do derrame”, explica.

Na sua opinião, a cirurgia só é justificada quando a bola é hipertrofiada, deixando um volume muito exagerado.

SELFIE

Há quatro anos, Aline Costa de Oliveira, 24, recém-formada em medicina, fez lipoaspiração e colocou silicone nos seios, mas ainda estava insatisfeita com as bochechas. Ano passado, decidiu fazer uma cirurgia para reduzi-las. Leia o seu depoimento.

“As minhas bochechas me incomodavam demais. Sempre que tirava foto, me achava gorda. Por mais que estivesse magra, a cara sempre estava gordinha. Por isso, nem postava selfies nas redes sociais. Tinha vergonha.

Aline Costa de Oliveira, que fez uma cirurgia de redução de bochecha; fotos de antes (esq) e depois (dir)
Aline Costa de Oliveira, que fez uma cirurgia de redução de bochecha; fotos de antes (esq) e depois (dir)

Pensei em operar o nariz, mas o médico disse que não havia nada de errado com ele e me falou da cirurgia da bochecha. Fui pro céu. Fui pesquisar. Aqui no Brasil não encontrei ninguém que tivesse feito para trocar ideias.

Achei pessoas na Argentina, no México e nos EUA. Meus amigos diziam: ‘Aline, para com isso, não se arrisque a toa. Você não trabalha com o corpo, não precisa disso’. Minha mãe também ficou com medo e tentou me fazer mudar de ideia. Mas não adiantou.

Sou muito de rezar. Comecei os exames pré-operatórios e pensei: ‘Se der tudo certo, é porque tem que ser’. Deu. Em dez dias, estava sendo operada. Podia ter sido anestesia local, mas decidimos pela geral porque era a primeira vez que o médico faria a cirurgia.

O pós-operatório foi parecido com o que a gente tem depois de tirar o dente do siso. Ficou um edema animal, mas, um dia depois da cirurgia, eu já estava na aula.

Demorou um tempo para perceber a diferença no rosto, mas ficou ótimo, mais fino. Depois disso, algumas amigas fizeram. Quem olha de fora acha que é futilidade. Não é.

Eu ficava muito triste com as bochechas. Não é nenhuma distorção de imagem. Eu me cuido, me alimento direitinho, como coisas saudáveis, malho. Fiz peito [próteses de silicone] e lipo há quatro anos. Mas não pretendo fazer outra cirurgia plástica. Agora, estou satisfeita.”

Fonte: Folha de S. Paulo