Mercado gospel cresce 14% ao ano

Mercado gospel cresce 14% ao ano

O mercado consumidor gospel cresce 14% ao ano, segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais Evangélicos. A música responde por 10% dos R$ 20 bilhões que o setor fatura no país, incluindo moda, internet e até sex shops. Não há dados específicos sobre a Bahia.

Após trabalhar como vendedor autônomo de literatura religiosa, Jaime Gonçalves da Silva, 51, abriu a primeira Livraria Evangélica Betânia em Jequié, em 1991. Atualmente, o empresário e seus dois sócios possuem sete unidades em Salvador e uma em Lauro de Freitas, onde se localiza o centro de distribuição, responsável por atender vendedores autônomos e outras livrarias. O quadro de funcionários é composto por 41 pessoas.

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”O aumento do público evangélico possibilitou o nosso desenvolvimento. Antes, apenas bíblias simples, com capa preta, eram vendidas. As editoras estão atentas à inovação e produzem versões modernas, com uso de cor. Títulos estrangeiros também são trazidos ao país com maior frequência”, diz o empreendedor sobre a diversificação do consumidor gospel (articulação em inglês de ‘god’ e ‘spell’, que significa palavra de Deus).

As unidades da Betânia vendem uma média de 60 mil bíblias e 120 mil livros por ano. Em 1991, a empresa comercializava títulos de 15 editoras. O número quadruplicou nos últimos 25 anos. ”Além desses, vendemos produções independentes”, complementa.

O gerente de acesso a mercados do Sebrae, José Nilo Meira, aconselha que o empreendedor que deseja investir neste público tenha intimidade com a doutrina religiosa. “O ideal é que ele seja evangélico”, afirma.

Quebra de paradigma

Quando entrou na faculdade, a então estudante de moda Damires Andrade, 22, sentiu o estranhamento de alguns colegas de curso. “As pessoas nos veem como indivíduos restritos, quase ‘caretas’, que não se encaixariam em um ambiente teoricamente mais ousado, como a moda”, explica.

Disposta a ignorar o paradigma arbitrário, Damires apresentou, no trabalho de conclusão de concurso, uma coleção masculina evangélica inspirada na relação entre quatro bebidas, como uísque e vinho, e as ocasiões em que são consumidas. Com três anos de formada, a jovem é diretora criativa e uma das administradoras da Andfer, marca de roupas masculinas evangélicas.

A empresa conta com duas lojas em Salvador, uma fábrica com linha de produção completa e 13 funcionários. “Inicialmente, o foco não era o homem evangélico, mas, como o mercado tem crescido bastante nos últimos quatro anos, decidimos nos segmentar”, explica Damires.

Com o aumento e diversificação do público, novas demandas são criadas. “Existe uma imagem de que o evangélico não faz uso de cor e ornamentos, prendendo-se ao tradicional e básico preto e branco. É possível seguir a doutrina e ser jovem e moderno. É o que procuro fazer”, afirma.

O erotismo “soft” (baseado em produtos cosméticos) é um mercado em expansão para empreendedores que buscam estimular o casamento, sem recorrer à pornografia.

“Há cada vez mais clientes evangélicos”, atesta a presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual, Paula Aguiar. Ela foi uma das responsáveis pela criação do Guia Gospel para sex shops e consultores de casais.

O livro explica, por exemplo, que não se deve oferecer a casais algo que possa ser associado à traição, ao pecado. “Em nossa loja, não temos nada para o autoprazer”, destaca João Ribeiro, português evangélico que migrou para o Brasil e viu na consultoria para casais cristãos uma possibilidade de trabalho.

Na próxima Bienal do Livro, que começa 28 de agosto em São Paulo, Ribeiro vai apresentar o livro Vingança por Amor, da série Sete Pecados ao Vento. A obra foi escrita em parceria com a esposa.

O casal, que usa os pseudônimos J. O. Brook e L. O. Brook, encomendou uma pesquisa de opinião sobre o livro, que já está à venda. “Ele teve uma interessante aceitação do público feminino”, afirma.

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