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Lula sabia que eu não era aquele monstro, disse Battisti a bolivianos

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Cesare Battisti disse às autoridades bolivianas que o ex-presidente Lula pode comprovar que ele não era um “monstro”. Em um pedido de asilo enviado ao governo de Evo Morales no final de 2018, o italiano ainda lamentou a “nefasta coincidência” da chegada ao poder de dois governos de extrema-direita no Brasil e na Itália, motivo pelo qual ele teria fugido para a Bolívia, disse ele.

O documento foi enviado no dia 18 de dezembro de 2018 por Battisti e, no dia 21 daquele mês, o Conselho Nacional de Refugiados registrou oficialmente o pedido. Nele, o italiano explica sua fuga ao Brasil há mais de dez anos e, depois, para a Bolívia no ano passado.

“Em 2004, me vi obrigado a abandonar minha família e fugir ao Brasil, onde continuei minha profissão, publicando cinco livros, constituindo uma família, da qual tenho um filho de nome Raul, que atualmente tem cinco anos”, escreveu. “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de ter a certeza de que minha pessoa não era aquele monstro que o governo italiano tentava construir, com um pedido de extradição absurdo, me concedeu residência permanente no ano de 2010”, disse.

Ativistas pro Cesare Battisti manifestam na frente do Supremo Tribunal Federal em sinal de protesto no momento em que o plenario do Supremo julga a extradicao do ex ativista italiano.

Sua fuga da França ao Brasil, segundo ele, ocorreu por causa da “coincidência” de dois governos de direita na Europa: o de Silvio Berlusconi na Itália e o de Nicolas Sarkozy na França. Agora, Battisti cita outra “nefasta coincidência”. “Um governo eleito de ultra-direita na Itália e outro em Brasil, cujo presidente eleito Bolsonaro fazem que, uma vez mais, eu esteja na necessidade de pedir ajuda a um país de princípios democráticos, como a Bolívia”, escreveu.

“Poucos dias depois de seu triunfo eleitoral, Bolsonaro prometeu publicamente que realizará todos os esforços para me extraditar” disse. O pedido cita a necessidade “humanitária” de lhe conceder o status de refugiado. Isso, segundo ele, garantiria sua “segurança, liberdade e vida, aportando desta maneira à construção de uma sociedade de paz sustentada na Justiça social e nos princípios de legitimidade da rebeldia social frente às injustiças”.

Segundo o documento, Battisti se colocava ainda à disposição das autoridades para que desse sua versão dos fatos. Na carta de quatro páginas, ele insiste que se “distanciou” de atividades violentas por parte de grupos italianos nos anos 70, principalmente depois do episódio com Aldo Moro. Ele, portanto, “declina responsabilidade” sobre fatos que pesam sobre ele e ainda insiste que tentou convencer o braço armado de seu grupo a abandonar a violência, sem sucesso. Battisti também alegou que centenas de processos falsos foram criados na época para justificar a prisão de ativistas, entre eles o que baseou sua pena perpétua.

(Com Estadão Conteúdo)