Jeep Renegade x Troller T4

Jeep Renegade x Troller T4
4x4 a diesel, os modelos sacodem a poeira e mostram até onde conseguem ir
4×4 a diesel, os modelos sacodem a poeira e mostram até onde conseguem ir.

Você já se decidiu: vai comprar um carro com tração 4×4 para, a cada folga, trocar os buracos do asfalto da cidade pelos de uma trilha. A simples decisão já é um importante passo, mas para acertar em cheio no alvo é igualmente importante definir o seu apetite de aventura.

Nível 1: trilhas médias, mais do que simples estradas de terra e menos do que morros com lama e pedras soltas. Nível 2: transposição de riachos e depressões capazes de deixar só uma roda apoiada no solo.

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Quem fica no grupo 1 larga com uma boa vantagem: um único carro pode atender os desejos on e offroad. Já os mais radicais, do segundo grupo, precisam investir num veículo de uso exclusivo, pois, na cidade, toda a disposição no fora de estrada se traduz em desconforto. Para um e para outro, o mercado tem duas boas opções, ambas movidas a diesel: o Jeep Renegade e o Troller T4.

A versão do recém-nascido Renegade selecionada para este encontro na terra é a Sport, cujos preços variam entre R$ 99 900 (básico) e R$ 119 850 (com todos os opcionais). O Troller tem na pintura metálica seu único opcional e os preços variam de R$ 114 958 a R$ 115 683.

Rivais no público-alvo, os dois aventureiros adotam receitas mecânicas bastante distintas. A Jeep aposta em um motor diesel 2.0 turbo de 170 cv, administrado por um câmbio automático de nove velocidades. O Troller é mais violento: seu motor é o mesmo da Ranger: um 3.2 de 200 cv. O câmbio também é oriundo da picape, uma caixa manual com seis marchas. A configuração, em ambos os casos, tem a ver com a proposta de cada carro: versatilidade no Renegade, radicalismo no T4. E é assim por todo o projeto. O curso de suspensão do Troller é quase eterno: raros são os terrenos capazes de fazer com que uma ou mais rodas percam contato com o solo. No Jeep, valetas e lombadas urbanas um pouco mais exageradas – e elas nem são tão raras – são suficientes para uma leve raspada do para-choque no asfalto.

INVERSÃO DE VALORES

Mas toda a superioridade mecânica do T4 no fora de estrada se perde na cidade. É preciso cuidado especial, pois o longo curso de suspensão e o motor de desempenho brutal o tornam perigosamente indócil, especialmente em curvas longas, onde a carroceria inclina bastante. O Renegade, por sua vez, não permite exageros na trilha: a travessia de um riacho, por exemplo, só deverá ser feita quando a profundidade não passar de 48 cm e a uma velocidade de até 8 km/h. Desobedeça essa recomendação e arrisque-se a ficar encalhado, com o motor condenado por calço hidráulico. Para piorar, em uma situação como essa é bastante provável que você tenha que desembarcar para pedir auxílio, e aí a água vai invadir sem dó a cabine, encharcando o carpete. No T4, a tomada de ar fica em posição elevada (a 123 cm do solo), junto à base do para-brisa. E, se a água entrar, sem problema: a forração de bancos, laterais e assoalho é impermeável. Mas não se engane: motor, câmbio e suspensão do Jeep dão a ele disposição e competência para acompanhar o Troller em qualquer trilha que um motorista iniciante ou de nível intermediário no mundo do off-road se atreva a encarar.

A ativação da tração nas quatro rodas é automática no Renegade e manual no T4, apesar de também ser feita por meio de uma interface eletrônica, um seletor giratório no console. No primeiro, o piloto pode indicar ao sistema o tipo de terreno – neve, areia, lama – ou deixar no modo automático. Há ainda assistente de descida de ladeira com baixa aderência, bloqueio de diferencial e até um simulador de marcha reduzida, bastante útil quando há necessidade de força bruta. É, na prática, uma cartografia eletrônica que trava o câmbio na primeira marcha. No T4, as marchas são reduzidas de verdade e transformam o motorzão em uma usina de força e, por tabela, o T4 em um alpinista sobre rodas sem limites.

Na cabine, o acabamento e o pacote de equipamentos do Renegade está anos-luz à frente do T4. Painel emborrachado, volante multifuncional, bancos com múltiplos ajustes e multimídia são exclusividades do lançamento da Jeep produzido em Goiana (PE) – a Troller, adquirida pela Ford em 2007, fica em Horizonte (CE).

ESCORREGADOR

No T4, os bancos dianteiros carecem de abas mais proeminentes tanto no assento como no encosto. O revestimento de tecido sintético muito liso acentua ainda mais a falta de suporte lateral: o corpo escorrega nas curvas fechadas do trânsito urbano e também no chacoalhar típico das trilhas.

Espaço e ergonomia também passam longe de ser os pontos fortes do Troller. Pelo contrário. Mesmo com ocupantes de baixa estatura nos bancos dianteiros, o espaço para quem viaja atrás é claustrofóbico. E olha que para chegar lá é preciso estar em forma: a carroceria com duas portas e assoalho alto exige intenso contorcionismo para acessar a traseira.

Certa vez, um amigo jipeiro acostumado a explorar as serras de Minas Gerais disse que levava apenas poucas roupas para a trilha, pois, na volta, elas se dividem em dois cestos: o de peças imundas e o de lixo. Talvez essa teoria explique o minúsculo porta-malas do Troller: são apenas 134 litros. Para piorar, o espaço é mal resolvido: estreita de baixo para cima, a ponto de dispensar a cobertura entre o encosto do banco e a tampa. Esta, a propósito, tem abertura lateral.

As pedras no caminho para a compra certa foram retiradas. Agora é só escolher em qual carro você vai
encarar o caminho das pedras.

FORMA E FUNÇÃO
Design influencia na capacidade off-road

renagade x Troller T4 - ângulo de ataque

AVALIAÇÃO DO EDITOR

MOTOR E CÂMBIO
No Renegade, o powertrain trabalha com muito mais harmonia e eficiência, conferindo bons números de desempenho e consumo. Já o do Troller oferece força bruta em tempo integral.
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DIRIGIBILIDADE

Por mais que o asfalto não seja a praia do T4, ele sofre demais em ambiente urbano. Culpa maior da suspensão dianteira de eixo rígido, ótima para o off-road, mas imprecisa no asfalto.
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SEGURANÇA
A Troller se vale da legislação brasileira, que dispensa alguns veículos off-road da obrigatoriedade dos airbags. Em vez de não ter os dispositivos, melhor seria se contasse com um sistema inibidor de seu acionamento.
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SEU BOLSO

Motor movido a diesel encarece o carro. É normal. Mas essa dupla passa um pouco do aceitável. Por ter um público maior do que o do T4, o Renegade tende a desvalorizar menos.
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CONTEÚDO

Mesmo sem apelar para os opcionais, o Renegade tem um bom pacote de equipamentos. Mas o T4 também carrega os principais equipamentos para agradar seu público.
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VIDA A BORDO
Novamente, à sua maneira, cada um atende bem a clientela. Mas o Renegade leva alguma vantagem, pois mantém bom nível de conforto mesmo ao encarar trilhas.
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QUALIDADE

Eis o ponto fraco do T4. A montagem da carroceria é malfeita, com vãos irregulares entre as partes. Apesar da grande melhora em relação à geração anterior, a cabine também peca pelo acabamento ruim, com plásticos malencaixados e cantos vivos. No Renegade, os materiais são de boa qualidade e a montagem é precisa.
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RENEGADE


VEREDICTO

Motor turbodiesel e tração 4×4 os dois têm. O que muda é o nível de dificuldade das trilhas que cada um pode encarar. Mas a versatilidade infinitamente superior torna o Renegade uma compra mais segura.

T4

Renegade

Fonte: 4rodas

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