Política

Em entrevista, Moro diz que não será candidato a presidente daqui a 4 anos

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O juiz federal e futuro ministro de Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse estar assumindo 1 cargo “predominante técnico” no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Ele negou que pretenda ser candidato à Presidência da República nas próximas eleições.

“Na minha visão, estou assumindo 1 cargo para exercer uma função predominantemente técnica. Não me vejo em 1 palanque como candidato a qualquer espécie de cargo. Isso não é da minha natureza”, disse em entrevista exibida neste domingo (11.nov.2018) pelo Fantástico, da TV Globo.

Ao ser questionado se não poderia mudar de ideia no futuro sobre a candidatura, completou: “Estou te falando que não vou ser”.

Sobre a chance de assumir uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), disse que é “uma possibilidade”. “É uma perspectiva, uma possibilidade que se coloca no futuro. Quando surgir uma vaga o meu nome pode ser cogitado, como o nome de várias pessoas.”

O juiz será 1 dos “superministros” indicados por Bolsonaro. Sua pasta aglutinará os atuais ministérios da Justiça e da Segurança Pública.

Posse de armas e maioridade penal

Moro afirmou que a flexibilização da posse de armas –ou seja, o afrouxamento das regras para quem deseja ter uma arma dentro de casa– não é “uma questão exatamente de diminuição ou não da criminalidade”.

“O senhor presidente foi eleito com base nessa posição e me parece que há esse compromisso com os seus eleitores.” Para ele, as normas atuais “são muito restritivas”.

Em relação à redução da maioridade penal, disse que “não existe posição fechada” no governo sobre o tema.

“Existe uma necessidade de se proteger o adolescente, por isso se coloca a maioridade penal em 18 anos. Mas também acho que é razoável a afirmação de que mesmo o adolescente entre 16 e 18 anos já tem uma noção de que é errado matar.”

“Abate” a criminosos

Moro voltou a defender que o Estado deve ter uma política mais rigorosa contra organizações criminosas. Ele mostrou posicionamento favorável ao do governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de dar autorização a policiais para “abater” criminosos com fuzis.

“Não me parece razoável que o policial tenha que esperar o criminoso atirar nele com uma metralhadora, com 1 fuzil antes que ele possa tomar qualquer providência. Tenho minhas dúvidas se isso já não é acobertado pela legislação, mas vamos estudar se é necessário uma reformulação.”

Questionado sobre suas metas para a redução da criminalidade, disse que não é possível se comprometer com 1 número. “Não é exatamente matemática.”

Na 3ª feira (6.nov), durante a 1ª entrevista após ser anunciado ministro, o juiz defendeu a aplicação de penas mais severas, como proibição de progressão de regime quando houver ligação com organizações criminosas. Defendeu também a utilização do modelo de forças tarefas da Lava Jato no combate ao crime organizado.

Minorias

Em relação a frase de Bolsonaro de que iria “botar 1 ponto final em todo tipo de ativismo no Brasil”, Moro disse nunca ter visto da parte do presidente eleito “uma proposta de cunho discriminatório em relação a minorias”.

“Nada vai mudar. Tenho grandes amigos que são homossexuais, algumas das melhores pessoas que eu conheço. E não existe nenhuma perspectiva de nada que seja discriminatório a essas minorias.”