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Conheça mais sobre a criação de abelhas em Itaberaba

Você sabe que a criação de abelhas é uma atividade desenvolvida em Itaberaba que conta com muitos agricultores envolvidos e é uma alternativa de renda para nossa região?

O Itaberaba.Net conversou com o professor e apicultor Carleandro Souza sobre a apicultura em nossa cidade.

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Carleandro Souza

Há uma associação de apicultores em Itaberaba?

Existe sim uma associação de apicultores e meliponicultores em Itaberaba, a ASAMEL. Trata-se de uma associação pioneira, fundada no ano de 2000, com participação de técnicos, agricultores e agricultoras, além de simpatizantes dos produtos das abelhas: mel, cera, própolis, apitoxina, enxames, etc.

Essa associação foi pioneira pelo fato de ser uma das primeiras do país a adotar a categoria ‘meliponicultores’ no nome oficial, pois a meliponicultura ainda era incipiente e restrita a espaços universitários, embora fosse uma atividade tradicionalmente efetuada pelos sertanejos em várias regiões do Brasil.

A ASAMEL contou com parcerias importantes, como a Escola de Agronomia da UFBA, atualmente UFRB, através do Grupo de Pesquisas INSECTA; Também o forte apoio da EBDA, com realização de cursos, excursões, participação em eventos estaduais e em outros estados. Também foi pioneira ao fazer as Feiras do Mel, um evento que praticamente tinha entrado no calendário não oficial do município. Além disso, a ASAMEL tinha caráter de território, não sendo uma associação apenas de Itaberaba ,mas agregando outras instituições e pessoas de Iaçu, Ruy Barbosa, Rafael Jambeiro, Mundo Novo… isso muito antes da política de territórios atualmente adotada pelo do governo.

Quantos associados e desde quando há?
Estou a seis anos em Paulo Afonso e sem dados precisos. Na época em que eu estava como vice-presidente da ASAMEL e também como Coordenador de Apicultura na EBDA de Itaberaba, havia cerca de 40 pessoas registradas.

Com o advento das mudanças de políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, desde o ano de 2003, com a implementação de casas do mel, formação qualificada de pessoal, facilidade de acesso ao crédito e legislação de incentivo a compras de alimentos da agricultura familiar para escolas e outros espaços públicos, houve um substancial avanço de pessoas envolvidas na apicultura e meliponicultura na nossa região como no país todo. Precisar o número de envolvidos é muito difícil, e apenas algumas instituições podem ter uma noção, através de dados sobre associações, cooperativas, etc. No entanto, os apicultores informais, ou aqueles que não estão ligados a nenhuma instituição, além dos criadores artesanais, o número fica impossível. A fonte que usamos é do IBGE ou do MDA.

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Apicultores cuidando de colméias.

Atualmente o polo de produção regional de apicultura está em Ruy Barbosa, pois lá tem um entreposto equipado com o que for necessário para beneficiar produtos da colmeia, inclusive para a merenda escolar. A ASAMEL é parceira do Entreposto há muito tempo.

Quais problemas tem ocorrido?
De início, a nossa dificuldade maior foi conseguir projetos para aquisição de colmeias, a fim de ampliar o plantel dos criadores, ou o contato maior com aspectos burocráticos. Muitas associações ainda tem o entrave técnico de como trabalhar a burocracia, elaborar projetos, submetê-los, e conduzí-los. Acho que não só a ASAMEL.

Os outros aspectos são relacionados a fatores externos, como secas e estiagens prolongadas, com a redução de floradas e consequentemente baixa na produção. Seria interessante procurar apicultores que fazem parte dela, pois tem uma bela história de luta e resistência tanto coletiva quanto individual.


 

Colaborou com esta matéria Carleando Souza:  meliponicultor, Mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental pela UNEB, foi coordenador de Apicultura e Meliponicultura durante período de trabalho na EBDA de Itaberaba (2008 a 2010), sócio fundador da ASAMEL, e vice-presidente da mesma durante o mesmo período (2008-2010). Atualmente desenvolve pesquisas sobre o manejo de abelhas por povos indígenas e comunidades tradicionais camponesas no sertão nordestino no Coletivo Educação, Agroecologia e Campesinato, grupo que coordena no Centro Estratégico de Pesquisas das Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação – Opará, da Universidade do Estado da Bahia.

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