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Política

Começo do julgamento para cassar Dilma tem brigas e baixaria

Conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, o julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff começou nesta quinta-feira, 25. Foram mais de 15 horas de sessão marcadas por bate-boca. Os senadores retomam a inquirição nesta sexta-feira, a partir das 9h, com seis testemunhas apresentadas pela defesa. Cada depoimento poderá levar até 12 minutos e, se não terminar nesta sexta, poderá avançar pelo fim de semana.

Abaixo, confira os cinco fatos principais que marcaram a sessão:

1. Logo no início da sessão, aliados de Dilma Rousseff apresentaram 10 questões de ordem, o máximo permitido, mas todas foram negadas pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que preside a sessão.

2. A queda de braço para retardar ou acelerar o processo ficou evidente na sessão de hoje. Senadores favoráveis ao impeachment acusaram aliados de Dilma de fazerem “chicana” e de “procrastinar” o andamento da sessão. A estratégia dos contrários ao impeachment tem dado certo e a sessão, que durou mais de 15 horas, ouviu apenas duas das oito testemunhas previstas. Enquanto isso, para tentar acelerar o processo, senadores do PMDB afirmaram que não devem fazer perguntas para Dilma na segunda-feira, quando a petista deve ir ao Senado.

3. No momento mais tenso da sessão, a senadora Gleisi Hoffmann (PR-PT) questionou aos presentes: “Qual é a moral do Senado para julgar Dilma?”. Em resposta, Ronaldo Caiado (DEM-GO) rebateu “Eu não sou assaltante de aposentado”, fazendo referência ao marido de Gleisi e ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no primeiro mandato de Dilma, Paulo Bernardo, preso na Operação Custo Brasil. Gleisi rebateu e acusou o senador de apoiar o trabalho escravo.

Durante o bate-boca, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) chegou a se aproximar de Caiado e a colocar os dedos perto de seu rosto.

O senador de Goiás também falou para Lindbergh Farias (PT-RJ) fazer um exame antidoping e não ficar “cheirando”. Após o tumulto, sessão foi suspensa por cinco minutos.

4. Após pedido da defesa, Lewandowski rebaixou o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) Júlio Oliveira da condição de testemunha de acusação e o colocou como “informante”. O motivo? Oliveira compartilhou no Facebook a convocação para uma manifestação pela rejeição das contas de 2014, apresentadas pelo governo Dilma.

O objetivo do protesto era pressionar ministros do tribunal a dar parecer pela reprovação do balanço, como, de fato, ocorreu. “Ele é mais parte do que testemunha”, afirmou o defensor de Dilma. Desta forma, o que ele falou não valerá como prova no processo.

5. Segundo a depor no dia, o auditor do TCU Antônio Carlos Costa D’Ávila Carvalho admitiu que discutiu com o procurador Júlio Oliveira a elaboração do texto da representação sobre pedaladas fiscais de 2014. O documento preparado por Júlio Marcelo de Oliveira serviu de base para o pedido de impeachment de Dilma Rousseff apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaina Paschoal. Segundo José Eduardo Cardozo, advogado da petista, a ajuda do auditor fere “independência funcional” e, por isso, vai pedir a anulação da representação feita pelo procurador.

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