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Barragem da Vale se rompe e casas são atingidas em Brumadinho (MG)

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Uma barragem da mineradora Vale do Rio Doce rompeu-se nesta 6ª feira (25.jan.2019) na Mina Feijão, em Brumadinho (MG), município localizado a 51 km de Belo Horizonte. Um mar de lama destruiu casas próximas à região, que tem cerca de 39 mil habitantes.

Até a madrugada deste sábado (26.jan), o Corpo do Bombeiros havia informado que 9 pessoas foram encontradas mortas. Outras 300 estão desaparecidas após o rompimento da barragem.

As informações preliminares foram divulgadas pela Defesa Civil. Uma equipe com técnicos está no local para avaliar a situação e deve trabalhar no atendimento de possíveis vítimas e na retirada de moradores que moram na parte mais baixa da cidade de suas casas.

Ainda não foi divulgado o motivo do rompimento. O presidente da Vale do Rio Doce, Fabio Schvartsman, disse que havia cerca de 300 funcionários no local do rompimento da barragem na Mina Feijão, em Brumadinho (MG), município localizado a 51 km de Belo Horizonte.

A empresa não sabe o número de vítimas, mas 100 dos funcionários foram encontrados com vida. “A maioria dos atingidos são nossos próprios funcionários. No momento do acidente, tínhamos aproximadamente 300 funcionários no local. Nós não sabemos quantos estão soterrados”, disse Fabio Schvartsman.

Em nota divulgada após coletiva do presidente da empresa, a Vale disse haviam 427 trabalhadores no local, dos quais cerca de 150 estão desaparecidos.

A empresa afirma que acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. Segundo a Vale, a prioridade é “preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”.

O governo de Minas Gerais informou, por meio de nota, que 1 gabinete estratégico de crise foi formado para acompanhar as ações.

“Uma força-tarefa do estado de Minas Gerais já está no local do rompimento da barragem para acompanhar e tomar as primeiras medidas. O Corpo de Bombeiros, por meio do Batalhão de Emergências Ambientais, e a Defesa Civil também já estão no local da ocorrência trabalhando e há 2 helicópteros sobrevoando a região”, diz a nota.

A Defesa Civil orientou moradores dos bairros Canto do Rio, Pires, Amianto, São Torrado, Alberto Flores e Parque da Cachoeira a deixarem suas casas. A tendência é que os resíduos do rompimento sigam para o rio Paraopeba.

No Instagram, a prefeitura lançou 1 comunicado pedindo que os moradores fiquem longe do leito do Rio Paraopeba.

A PR-GM (Polícia Rodoviária de Minas Gerais) comunicou que a MG-040, entre as cidades de Brumadinho e Mário Campos, está totalmente interditada por causa do rompimento da barragem.

Abaixo é possível ver imagens da região de Brumadinho (MG) antes do rompimento da barragem na Mina Feijão e imagens da região depois do desastre ambiental.

© Reprodução TV Globo – 25.jan.2019

Um morador da região registrou como ficou o local onde ficava 1 restaurante. “Acabou com tudo, todo mundo estava almoçando”, disse.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais divulgou na noite desta 6ª feira (25.jan.2019) uma lista com nomes de 183 pessoas que foram resgatadas vivas após o rompimento da barragem na Mina Feijão, em Brumadinho (MG), município localizado a 51 km de Belo Horizonte.

A lista informa ainda que 8 pessoas estão desaparecidas.

Mais cedo, o Corpo de Bombeiros informou que 200 pessoas estavam desaparecidas.

Segundo comunicado emitido pelo governo, 7 corpos de pessoas encontradas mortas já estão no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte. Há confirmação ainda de 7 pessoas feridas.

LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO

O município de Brumadinho fica a 51 km de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. De acordo com a estimativa do IBGE, sua população em julho de 2017 era de 38.863 habitantes.

No município está localizado o Instituto Inhotim, sede de 1 dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil e considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina.

O local que não foi atingido pelo rompimento da barragem, mas o instituto informou, por meio do Twitter, que a área de visitação do museu foi evacuada.

ATUAÇÃO DO GOVERNO FEDERAL

O presidente Jair Bolsonaro lamentou o rompimento da barragem no Twitter. O militar informou que os ministros Gustavo Henrique Canuto (Desenvolvimento Regional), Bento Costa Lima Leite (Minas e Energia) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), bem como o secretario nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves, estão se digirindo para a região.

“Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia”, disse o presidente, que deve visitar a região neste sábado (26.jan.2019).

POTENCIAL DE DANOS

Segundo o Cadastro Nacional de Barragens, elaborado pela ANM (Agência Nacional de Mineração) e encaminhado à ANA (Agência Nacional de Águas), a barragem rompida tinha baixo risco de acidentes e alto potencial de danos.

Divulgado em novembro do ano passado, com dados referentes a 2017, o documento aponta 45 barragens com risco de rompimento, mas a barragem da Vale não estava nessa lista.

No total, o relatório mostra que o país tem 24 mil barragens identificadas para diversas finalidades, como geração de energia, acúmulo de água ou rejeito de minérios, caso da barragem rompida hoje.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) divulgou nota informando “o empreendimento, e também a barragem, estão devidamente licenciados, sendo que, em dezembro de 2018, obteve licença para o reaproveitamento dos rejeitos dispostos na barragem e para seu descomissionamento[encerramento de atividades]“. 

“A barragem não recebia rejeitos desde 2014 e tinha estabilidade garantida pelo auditor, conforme laudo elaborado em agosto de 2018. As causas e responsabilidades pelo ocorrido serão apuradas pelo governo de Minas”, informou a pasta.

DESASTRE DE MARIANA

O rompimento da barragem em Brumadinho ocorre a pouco mais de 3 anos após a tragédia na cidade de Mariana, em Minas Gerais, quando, em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompeu.

O acidente foi uma catástrofe para o ecossistema da região. A fauna e a flora foram destruídas. A água enlameada da barragem destruiu o distrito de Bento Rodrigues e 19 pessoas morreram.

Os rejeitos da barragem de Mariana somavam 50 milhões de metros cúbicos ante 1 milhão da barragem de Brumadinho (MG).

Donas da Samarco, a Vale e a BHP Billiton ainda respondem na Justiça Federal pelo desastre em Mariana, por homicídios e crimes ambientais. Até o final de 2018, a ação seguia correndo na comarca de Ponte Nova, na Zona da Mata, sem que os réus tenham sido julgados.