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Assessora de Marielle: “Sobreviver é muito cruel”

A assessora da vereadora Marielle Franco, cuja identidade é mantida em sigilo por questões de segurança, falou hoje pela primeira vez desde a execução da política e seu motorista ao programa Fantástico, da Rede Globo.

“Eu estou apavorada. Eu estou despedaçada. Como não ter medo?”, disse sem revelar o rosto. A assessora conta que não percebeu o que estava ocorrendo mesmo ao ver a mão do motorista caída após ele dizer “ai” e que achou que Marielle estava se abaixando junto com ela para se proteger da rajada de tiros que escutou. “Foi um barulho forte, mas foi um barulho rápido. […] E o vidro quebrando. Eu não tinha nem certeza qual era o vidro. Na hora o que me ocorreu é que eu estava passando num fogo cruzado. E eu perguntava ‘que é isso gente?’”, relata.

Ao sair do carro, a sobrevivente conta que foi auxiliada por uma mulher que chamou a polícia e a ambulância e foi aí que percebeu que estava toda suja de sangue.

Em áudio exibido durante o programa, a assessora de Marielle é ouvida entre soluços, após o assassinato, em uma mensagem de voz enviada a seu marido, dizendo que estava bem, mas pedindo que o marido rezasse, pois Marielle e Anderson Gomes, o motorista da vereadora, estavam desmaiados: “Olha só, o carro em que eu estava com a Marielle, que eu estou, levou uma porção de tiros. A Marielle foi atingida, eu estou nervosa, mas eu estou bem. Foram vários tiros. […] Eu não sei o que é que eu faço. Eu estou bem, está tudo bem comigo. Mas a Marielle está desmaiada. O Anderson também. […] Reza por mim, amor. Reza pela Marielle. Reza pelo Anderson”.

Questionada sobre quando foi que percebeu que Marielle e Anderson não estavam desmaiados mas sim mortos, a assessora respondeu que escutou policiais dizendo que haviam “dois mortos e uma sobrevivente”.

“A coisa do sobrevivente me marcou muito. Porque eu queria a Marielle viva, eu queria o Anderson vivo. Porque sobreviver é uma coisa muito cruel”, diz a assessora antes de encerrar sua entrevista com uma indagação: “Por que eu preciso sobreviver? Que coisa horrenda é essa, que violência é essa?”.

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