Espiritualidade

As dez músicas mais criativas – espiritualidade e imaginação na MPB

A ODONTOLÓGICA é a principal Clínica da Chapada Diamantina. Atende as regiões de Itaberaba, Iaçu, Boa Vista do Tupim, Ruy Barbosa, Itaetê, Marcionílio Souza, Wagner, Utinga, Lençóis, Andaraí, Nova Redenção, Lajedinho, Ibiquera. Realiza atendimentos com especialistas em odontologia nas áreas de ortodontia, implantes, cirurgia, endodontia (tratamento de canal), odontopediatria, restaurações, periodontia, laserterapia, estética. Procedimentos Realizados: Restaurações, Estética, Periodontia, Tratamento de canal, Ortodontia, Aparelho ortodôntico, Extrações, Profilaxia, Remoção de tártaro, Implante, Enxerto ósseo, Levantamento de seio maxilar, Implantes Carga Imediata. Dr. Gardel Costa é Doutorando, Mestre e Especialista em Implantes, Especialista em Ortodontia, pós-graduado pela New York University.

Eugene Peterson, ao falar sobre a linguagem poética presente nas Escrituras – mais de 50% de seu conteúdo é poesia –, apresenta uma definição simples do que seja poesia. Uma linguagem. A linguagem da imaginação.

Todo discurso poético, portanto, é um discurso eminentemente imaginativo. Escolhi as canções abaixo do nosso rico cancioneiro popular, a partir de sua verve poética e de um aceno de diálogo entre realidade e espiritualidade, entre cotidiano e transcendência.

SEDUZIR. A canção de Djavan, inspirada (intencionalmente ou não) na célebre frase de Agostinho: “O meu coração não encontra descanso/Até que descanse em ti” é, portanto, uma canção djavaniana/agostiniana. Seus dois últimos versos dizem: “Vou andar, vou voar pra ver o mundo/Nem que eu bebesse o mar, encheria o que tenho de fundo.”

CANÇÕES E MOMENTOS – Da dupla Milton Nascimento e Fernando Brant, a canção discorre sobre a profissão que é vocação. “Eu só sei que há momento que se casa com canção/De fazer tal casamento vive a minha profissão.”

CHORO BANDIDO – Clássico da dupla Chico Buarque, Edu Lobo e que, na minha opinião, inclui um dos versos mais belos de toda MPB: “Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões/Saiba que os poetas como os cegos podem ver na escuridão.” Nada mais poético/profético.

A CIGARRA. Gravada por vários intérpretes, brasileiros e latino-americanos (foi escrita por uma compositora argentina, María Elena Walsh), afirma, entre outras pérolas: “Tantas vezes te mataram, tantas ressuscitarás/ Tantas noites passarás desesperando/ Mas na hora do naufrágio, na hora da escuridão/Alguém te resgatará para ir cantando/ Cantando ao sol como uma cigarra/ Depois de um ano em baixo da terra/Igual a um sobrevivente regressando da guerra.”

ENQUANTO HOUVER SOL. Clássico da banda de rock Titãs, anuncia de maneira singela: “Quando não houver saída/Quando não houver mais solução/Ainda há de haver saída/Nenhuma ideia vale uma vida/Quando não houver desejo/ Quando não restar nem mesmo dor/ Ainda há de haver desejo/ em cada um de nós, aonde Deus colocou.”

NA RIBEIRA DESSE RIO. Canção de Dori Caymmi, sobre poema de Pessoa, discorre sobre o mistério entre o homem e o rio, lembrando a metáfora sobre o vento, que nos é tão cara. “Vou na ribeira do rio/Que está aqui ou ali/E do seu curso me fio/Porque se o vi ou não vi/Ele passa e eu confio.”

QUANTA. Uma das mais emblemáticas canções do repertório de Gilberto Gil, propõe uma fusão entre física quântica e as Escrituras no coro da canção: “Arte, descoberta, invenção/Teoria em grego quer dizer/O ser em contemplação/Cântico dos cânticos/ Quântico dos quânticos”.

MENINA AMANHÃ DE MANHÃ – Uma deliciosa antítese apocalíptica de Tom Zé, a canção afirma categoricamente: “Menina amanhã de manhã quando a gente acordar/Quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens, vai/desabar sobre os homens, vai/desabar sobre os homens”, claramente emprestando a linguagem de morte e de destruição que, no texto sagrado, desabam sobre a humanidade e também enfatizando que a felicidade será um bem inexorável, inevitável, quase que imposto à vida, do qual ninguém pode (nem gostaria de) escapar.

PODER DA CRIAÇÃO. Da dupla João Nogueira e Paulo César Pinheiro, a canção discorre sobre o processo criativo e lembra a angústia do profeta: “Ela é uma luz que chega de repente/Com a rapidez de uma estrela cadente/E acende a mente e o coração/É, faz pensar/Que existe uma força maior que nos guia/Que está no ar/Vem no meio da noite ou no claro do dia/Chega a nos angustiar/E o poeta se deixa levar por essa magia/E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia/E o povo começa a cantar”.

I STILL HAVEN’T FOUND WHAT I’M LOOKING FOR. Um dos maiores sucessos da banda irlandesa U2, I still haven’t found é um autêntico hino pós-moderno: “Eu creio na vinda do reino/onde todas as coisas se tingirão de uma só…/Mas ainda não encontrei o que estou procurando”.
[A inclusão de Bono e cia nessa lista é apenas uma “licença poética”.]

Mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor.